O sistema de ensino artístico em Cuba não é estático nem idealmente perfeito. Ele se move em uma espiral dialética constante e se adapta a necessidades e desafios.
Autor: Oni Acosta Llerena | internet@granma.cu
Publicação original no Granma, em 26 de março de 2025
Vista aérea da Escola Nacional de Arte. Foto: Acosta Danza
Quando, em março de 1962, foi criada a Escola Nacional de Arte (ENA), uma nova realidade se instaurou no cotidiano do país, abrindo espaços até então desconhecidos para a imensa maioria da população.
O local escolhido carregava um simbolismo extraordinário: os contornos do Havana Country Club, um espaço historicamente vinculado à segregação racial e social dos cubanos, deram lugar à nova escola, que recebeu adolescentes de todo o país.
Além disso, é importante destacar que o desenvolvimento alcançado pelos músicos cubanos até então, seja por aprendizado empírico ou pela passagem de alguns poucos por academias locais ou estrangeiras, já era notável. Nossa música, tanto a acadêmica quanto a popular, era conhecida e respeitada em todo o mundo.
No entanto, o maior destaque da música popular cubana como expressão sonora da identidade nacional devia-se ao talento e à tenacidade de seus protagonistas. A maioria deles, independentemente do gênero musical que representavam, vinha das camadas mais humildes da sociedade cubana.
Não é segredo que quase todos os grandes músicos populares vieram de profissões humildes, como sapateiros, ferreiros, vendedores ambulantes e tintureiros, conciliando essas atividades com a música. As irmandades religiosas, às quais muitos pertenciam, assim como outros espaços de fraternidade, foram plataformas essenciais para o seu desenvolvimento artístico.
Porém, é inegável o impacto que a criação da ENA trouxe para a elaboração musical no país. Os jovens passaram a contribuir a partir de um conceito acadêmico, não apenas na música popular dançante, mas também em outros gêneros importantes, como a canção, o jazz e a rumba.
Essas mudanças começaram a se concretizar à medida que os alunos se formavam e ingressavam em grupos musicais que ainda contavam com membros fundadores e originais. Podemos citar orquestras como Ritmo Oriental, Riverside e Aragón; grupos como Rumbavana; além de pianistas como Felipe Dulzaides.
Com essa fusão entre o conhecimento técnico e teórico adquirido na ENA e o talento dos jovens e veteranos, o cenário musical cubano se transformou. A revolução profunda e necessária no sistema de ensino artístico, poucos anos após sua criação, continuou a se expandir com graduados que retornavam às salas de aula como professores, ampliando ainda mais os caminhos pedagógicos, expressivos e técnicos para as novas gerações de músicos.
Paralelamente, alunos cubanos estudaram em conservatórios da Alemanha, da URSS, da Polônia e de outros países. Muitos deles, ao regressar, contribuíram significativamente para a formação musical no país, entre eles Cecilio Tieles, Roberto Valera, María Felicia Pérez, José Loyola, Guido López-Gavilán e Frank Fernández.
O sistema de ensino artístico em Cuba não é estático nem idealmente perfeito. Ele se move em uma espiral dialética constante, adaptando-se às necessidades e desafios que a evolução musical impõe a cada época. Dessa forma, tornou-se um laboratório único, do qual emergiram inúmeros artistas cubanos desde sua fundação.
(Tradução: Lina Noronha)
Fonte: https://www.granma.cu/Musicando/2025-03-26/escuela-nacional-de-arte-del-sueno-a-lo-palpable-26-03-2025-22-03-55
Foto: Acosta Danza – Vista aérea da Escola Nacional de Arte

