Publicado por Cuba en Resumen em 2-jul-2025
Hedelberto López Blanch(*)
Você já se perguntou por que a Rússia rejeitou, denunciou e lutou para impedir que a Organização do Atlântico Norte (OTAN) se aproxime mais de suas fronteiras?
As forças ocidentais, com seus potentes meios de comunicação hegemônicos evitaram, de todas as maneiras, que se saiba a verdade sobre essa organização, que nasceu com traços belicistas e fascistas.
Muitos analistas afirmam que o seu verdadeiro nome devia ser OFAN, Organização Fascista do Atlântico Norte.
A Organização do Atlântico Norte (OTAN) surgiu em 1949, como uma aliança militar anticomunista, impulsionada pelos Estados Unidos e a Europa ocidental, com o bem definido fim de deter os avanços obtidos pelo movimento progressista internacional, especialmente contra a extinta União Soviética.
Seu antecedente histórico ocorre após a derrota dos nazis na batalha de Stalingrado, em 1943, quando Heinrich Himmler – líder das SS (organização paramilitar de segurança), chefe da polícia alemã, assessor de Adolf Hitler e arquiteto do extermínio judeu em países europeus – começa a fazer propostas secretas ao Ocidente, para formar uma aliança que lhes permitisse derrubar a União Soviética.
A opinião de Himmler era compartilhada por destacadas figuras reacionárias de países capitalistas, entre elas o tristemente célebre Allen Dulles, que, antes de ser diretor da CIA, queixava-se de que os Estados Unidos estavam lutando contra o inimigo equivocado, pois os nazis eram cristãos arianos pré-capitalistas, e os soviéticos representavam o comunismo.
Historiadores, filósofos ou juristas, como o estadunidense Gabriel Rockhill, o espanhol Miguel Ayuso e o uruguaio Jorge Majfud, pesquisaram sobre essa estreita conexão entre os dirigentes de países ocidentais no poder e altos elementos da Alemanha nazi que foram integrados à OTAN com o olhar posto em destruir a URSS.
Allen Dulles, que durante a Segunda Guerra Mundial trabalhava no Gabinete de Serviços Estratégicos (OSS, pelo nome em inglês), precursor da CIA, foi um dos interlocutores de Himmler para a planejada aliança anticomunista do Atlântico Norte. Assim, o general Karl Wolff, ex-mão direita de Himmler, ofereceu a Dulles, em troca de uma anistia de pós-guerra, desenvolver com seus aliados nazis uma rede de inteligência contra Joseph Stalin.
Foi exatamente isso o que ocurreu, e Dulles integrou muitos outros nazis e fascistas nas fileiras dessa Aliança Anticomunista, na qual se incluiu o chefe do serviço de inteligência nazi instalado na URSS, Reinhard Gehlen, designado pela CIA para dirigir a inteligência da Alemanha Ocidental depois da guerra, em que contratou muitos de seus colaboradores nazis.
O filósofo, escritor e crítico cultural estadunidense Gabriel Rockhill, em trabalho publicado em Observatoriocrisis.com, assinala que nessa Aliança também se incluíram vários elementos fascistas de outros países, como o italiano Valerio Borghese, o Príncipe Negro, um dos principais líderes do fascismo de pós-guerra, que foi salvo dos comunistas pelo Gabinete de Serviços Estratégicos (OSS) e depois trabalhou para a CIA. O OSS foi o serviço de inteligência dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.
Outro integrado foi o funcionário japonês que firmou a declaração de guerra contra os Estados Unidos, Nobusuke Kishi, conhecido como o “Diabo de Shōwa”, por seu brutal governo em uma colônia japonesa no noroeste da China, reabilitado pela Aliança, que financiou sua ascensão a Primeiro Ministro do Japão.
Esses exemplos são só uma ponta de iceberg, pois um sem-número de fascistas foram reabilitados, após a Segunda Guerra, e pelo menos dez mil deles, levados diretamente aos Estados Unidos.
Quando se criou oficialmente a OTAN, em 1949, Portugal foi um de seus membros fundadores. Naquele momento, o país era governado por uma ditadura fascista, o que demonstra que a OTAN foi, desde sua fundação, uma aliança militar das potências imperialistas (sejam democracias burguesas, ou Estados fascistas) contra o comunismo, que é precisamente o que Himmler tinha em mente.
Permitiu-se que a Grécia se unisse à OTAN após a derrota das forças comunistas em 1949, e sua entrada se efetivou em fevereiro de 1952, ou seja, depois de ter-se reconvertido em um Estado anticomunista confiável.
Na Alemanha Ocidental, após a derrota do nazismo, seus principais líderes foram julgados nos Julgamentos de Nuremberg, acusados de crimes de guerra, contra a paz e a humanidade, mas dezenas de seus altos comandantes militares não foram julgados e continuaram com suas carreiras na OTAN, quando se aceitou o país na Organização, em 1955. Outros milhares conseguiram sair da Alemanha e permanecer em vários países, como a Argentina, o Brasil, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros. Nesse mesmo ano, autorizou-se o rearmamento da República Federal da Alemanha, mediante os Acordos de Paris. O governo alemão examinou os voluntários e admitiu em seu novo exército 61 generais e almirantes da Wehrmacht nazi, assim como muitos outros de patentes inferiores.
(*) Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É o autor de “La Emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias Secretas de Médicos Cubanos en África” e “Miami, dinero sucio”, entre outros.
Tradução: Marcia Choueri
Ilustração: Adán Iglesias Toledo

