(terceira parte)
Publicado por Cuba en Resumen em 4-jul-2025
Hedelberto López Blanch(*)
É inegável que a colaboração da Ucrânia com o nazismo, antes e durante a Segunda Guerra Mundial, e posteriormente, a partir do golpe de Estado contra o governo de Víktor Yanukovych, em 2014, se convertem em um grande obstáculo para que esse país se integre à OTAN, o que representaria uma enorme ameaça militar para a Federação da Rússia.
Moscou já manifestou, em múltiplas ocasiões, que considera como um grave perigo para a sua segurança nacional, a possível adesão da Ucrânia à OTAN, junto com a contínua expansão desse bloco para o Leste.
O presidente Vladimir Putin reiterou que a pretensão de Kiev a esse respeito foi um dos fatores-chave que levaram à Operação Militar Especial de Moscou na Ucrânia.
Da mesma maneira, o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitri Medvédev, em recente publicação, enfatizou que a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) (igual que à OTAN) representa uma intimidação contra a Rússia, porque a UE está convertendo-se em um bloco militar.
Medvédev declarou que “hoje em dia, a UE deixou de ser um gigante econômico que se opõe às guerras e discórdias entre potências e se converteu em uma organização globalista, politizada e ferozmente russófoba, que sonha com destruir a Rússia”.
Na recente Cúpula dessa organização, no final de junho de 2025, a UE (pressionada e ameaçada pelo mandatário estadunidense Donald Trump) ratificou a proposta da OTAN de que todos os seus membros elevassem o gasto de defesa em 5% do PIB, para armar-se contra uma hipotética “agressão” da Rússia. Essa tem sido uma constante e mal-intencionada propaganda dos endinheirados líderes europeus, que tentaram por todos os meios destruir o governo de Moscou.
A OTAN e a UE reforçaram, nos últimos meses, o fornecimento de armas e equipamentos bélicos a Kiev, constroem instalações militares nesse território, treinam soldados ucranianos e buscam mercenários estrangeiros para o regime de Vladimir Zelenski.
Para Medvédev, «essa horrível metamorfose da UE busca também outro objetivo: armar o regime neonazi de Kiev até conseguir que se torne invulnerável à Rússia».
Como analisou Putin, se surge, futuramente, um quadro de guerra (porque, nos documentos doutrinários da Ucrânia, constata-se que quer retomar a península russa da Crimeia, inclusive pela força), e se Kiev se incorpora à OTAN, a Rússia teria de enfrentar diretamente essa organização nazista.
“Imaginemos, disse Putin, que a Ucrânia seja membro da OTAN: esteja cheia de armas, com a instalação de sistemas ofensivos modernos, como a Polônia e a Romênia […] e comece uma operação militar na Crimeia. Teremos de entrar em guerra com o bloco da OTAN? Alguém já pensou algo nisso? Parece que não.»
A partir de 2014, a Ucrânia começou a votar em desacordo com a resolução anual da Assembleia Geral da ONU contra a glorificação do nazismo e outras formas de discursos de ódio racial; começou a justificar os colaboradores nazistas; silenciou o papel decisivo do povo soviético na derrota da Alemanha nazi; favoreceu as demonstrações de xenofobia, neonacionalismo e neonazismo.
O regimento Azov, que forma parte da Guarda Nacional ucraniana, usa o escudo que contém uma runa wolfsangel estilizada e, detrás dela, um sol negro, ambos símbolos profusamente utilizados na Alemanha nazi por divisões das SS ou Waffen SS, o corpo de elite do Exército de Hitler. Esse escudo do Azov foi aprovado oficialmente pelo Ministério do Interior da Ucrânia. Muitos membros do Azov, criado em 2014, levam em suas roupas ou tatuadas no corpo mensagens fascistas e xenófobas. Elogiam a controvertida Divisão Galizien (formação militar das Waffen-SS), integrada por ucranianos que combateram junto às tropas hitleristas contra a antiga União Soviética.
Nas ruas da Ucrânia podem-se ver grandes cartazes com fotos de soldados da Galizien com letreiros que expressam: Ontem eles, hoje tu.
Em Kiev, os extremistas não têm escrúpulos em fazer declarações sobre sua visão de extrema direita, de mostrar os símbolos nazis e marchar pelas cidades gritando slogans racistas e antissemitas. Por exemplo, em março de 2014, Irina Farion, deputada nacional da Suprema Rada (Parlamento), do partido ultradireitista Svoboda, declarou: “Devemos, finalmente, ler nossa verdadeira história e entender que o nosso primeiro inimigo é Moscou. Este é o nosso programa e plano de ação. Levantem-se, rompam os ferros e salpiquem a liberdade com o sangue vil dos inimigos! O deles, não nosso!”.
Em 4 de setembro de 2018, o nacionalista Andrei Parubiy, presidente da Suprema Rada, declarou: “Eu, pessoalmente, sou um grande partidário da democracia direta. Aliás, vou lhes dizer que a pessoa que mais praticou a democracia direta foi Adolf [Hitler] nos anos 1930”.
É inquestionável que a possível integração da Ucrânia à nazista OTAN seria uma potencial declaração de guerra contra a Federação da Rússia, que Moscou não aceitará de nenhuma forma, por sua própria sobrevivência.
(*) Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É o autor de “La Emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias Secretas de Médicos Cubanos en África” e “Miami, dinero sucio”, entre outros.
Ilustração: Adán Iglesias Toledo.
Tradução: Marcia Choueri

