A submissão da União Europeia a Washington

Hedelberto López Blanch

Publicado em 2 de agosto de 2025 por Cuba en Resumen*

   A presidenta da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, fechou um acordo com o presidente Donald Trump pelo qual se submete às leoninas decisões comerciais, econômicas e financeiras impostas por Washington.
   A partir de agora, todos os produtos da UE que entrarem aos Estados Unidos deverão pagar uma tarifa de 15%, enquanto os membros do bloco não cobrarão nada pelos bens estadunidenses que cheguem aos seus países. Simples assim! Como se diz, a lei do mais forte.
   Entretanto, com um forte acento de submissão, Von der Leyen o qualificou como «o melhor que podíamos conseguir», porque se evitou o ônus de 30% que Trump havia ameaçado impor.
   Recordemos que, durante 24 anos, Washington aplicou somente taxas de 1,7% a 2% aos produtos europeus.
   Como parte do acordo, a União Europeia aceitou comprar 750 bilhões de dólares em produtos energéticos estadunidenses, principalmente gás natural liquefeito e energia nuclear; rejeitar os adquiridos por um preço muito menor da Rússia; investir 600 bilhões na economia dos Estados Unidos; abrir seus mercados ao comércio com imposto zero; e adquirir «grandes quantidades» de equipamento militar do país norte-americano.
   A médio e longo prazo, segundo os especialistas, essas medidas levarão a uma maior desindustrialização da Europa e representarão um forte golpe aos agricultores, que deverão pagar muito mais para colocar os seus produtos naquele mercado.
   No final de junho, sob forte pressão de Trump, os membros da OTAN acordaram, na reunião de cúpula de Haia, destinar, no ano de 2035, 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) à segurança e ao gasto militar, o que representará uma erosão, para esses países, de 500 bilhões de euros ao ano.
   Para o vice-presidente do Conselho de Segurança russo e ex-presidente do país, Dmitri Medvédev, Donald Trump destruiu a economia europeia com o novo acordo comercial, e acrescentou: «É completamente humilhante para os europeus, já que só beneficia os Estados Unidos: elimina a proteção do mercado europeu, reduzindo a zero os impostos sobre os produtos estadunidenses».
   A porta-voz do Ministério do Exterior russo, María Zajárova, destacou que, ao aceitar as exigências de Washington de não comprar o gás russo, a Europa Ocidental multiplicou os custos para os seus cidadãos e destruirá as suas próprias indústrias, o que significará um retrocesso de décadas.
   Meios de imprensa e funcionários de países ocidentais criticaram abertamente o tratado. A agência inglesa Reuters assinalou que «o acordo demonstrou a incapacidade da Europa para resistir à pressão do presidente estadunidense e poderia prejudicar gravemente a indústria da França e Alemanha.
   O diário Le Monde apontou que as consequências do acordo poderiam ser especialmente duras para as empresas francesas, que ainda não se recuperaram completamente da pandemia, enquanto Maxime Lemerle, analista francês da Allianz Trade assegurou que «a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos poderia provocar um número de quebras superior às nossas previsões para 2025 e 2026, estimadas em 67.500 e 65.000, respectivamente».
   Mais fortes ainda foram as declarações de Marine Le Pen, líder do partido direitista francês Reunião Nacional, ante a Assembleia Nacional, ao denunciar que «o acordo é um fiasco político, econômico e moral».
   A velha Europa, encabeçada atualmente por funcionários direitistas e milionários, está prejudicando seus próprios cidadãos, ao guiar-se pelas diretrizes do condenado presidente Donald Trump.
   Com a decisão de se abster de comprar petróleo e gás russo, tratam de debilitar o governo de Moscou, nação à qual impuseram milhares de extorsões chamadas eufemisticamente de «sanções».
   Mas essa equação não lhe deu resultado, ao contrário, todos os dias se comprova que a economia e o papel da União Europeia vão ladeira abaixo, enquanto a Rússia avança fortalecida.
   E muitos analistas nos preguntamos: será o começo da desintegração da União Europeia?

Tradução: Marcia Choueri
Foto: Euronews
*https://cubaenresumen.org/2025/08/02/el-sometimiento-de-la-union-europea-a-washington/

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