Um Prêmio Nobel da Paz para agredir a Venezuela

Por Hedelberto López Blanch*

Publicado por Cuba en Resumen**

10 out. 2025

      Como já se tornou habitual na outorga do Prêmio Nobel da Paz, nesta nova ocasião, buscou-se a forma complemente política de entregar esse galardão a María Corina Machado, uma pessoa que nos últimos anos esteve envolvida em todo tipo de revoltas e agressões contra o legítimo governo da Venezuela.

          Em momentos de grandes tensões no mar do Caribe, onde os Estados Unidos, sob o pretexto de lutar contra o «narcoterrorismo», mobilizaram um grande número de navios de guerra, ameaçando abertamente lançar uma agressão armada contra a Venezuela, para apoderar-se das suas riquezas petrolíferas e minerais, o Comitê norueguês do Nobel somou-se a essa política da ala violenta do governo de Donald Trump.

          A cada ano decai mais e mais o prestígio desse Comitê, que na maioria dos casos (e apenas com pouquíssimas exceções) outorga reconhecimentos a figuras da direita apoiadas pelos Estados Unidos e Europa Ocidental, que combatem governos progressistas legitimamente eleitos.

          Neste caso, desconsideraram figuras palestinas emblemáticas, que estão enfrentando os horrores da invasão israelense durante décadas e o genocídio sionistas contra a Faixa de Gaza, ou a luta da ativista sueca Greta Thunberg, promovida por vários setores e organizações internacionais.

          Aliás, alguns dias antes do anúncio, meios de imprensa, como o Financial Times, afirmavam que havia preocupação na Noruega pelas “possíveis represálias do presidente Trump com tarifas ou outras medidas”, se não fosse ele o ganhador do prêmio Nobel da Paz.

          Parece que Trump ficou mais tranquilo, ao darem o prêmio a María Corina, que trabalhou ombro a ombro com Washington, para tratar de derrubar o presidente Nicolás Maduro.

          María Corina esteve envolvida, nos últimos tempos, em todas as ações desestabilizadoras contra a Revolução Bolivariana. Após as eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, vencidas por Maduro, ela foi a principal protagonista das chamadas Guarimbas***, que mergulharam a Venezuela numa onda de violência que deixou mais de vinte mortos e 192 feridos, todos simpatizantes chavistas.

          Nessa ocasião, a opositora de extrema direita chamou a não aceitar os resultados expressos pelo Conselho Nacional Eleitoral, ao mesmo tempo em que grupos de encapuzados passaram a realizar atos de vandalismo, quebrando monumentos, incendiando órgãos públicos de saúde e bloqueando ruas com troncos e pneus. A ação disciplinada das forças armadas junto ao povo conseguiu conter essa investida.

          De acordo com investigações do Ministério de Relações Interiores, Justiça e Paz, ela esteve diretamente vinculada ao atentado na praça Bolívar, que, se não tivesse sido impedido, teria causado um impacto letal de 911 metros, e os estilhaços chegariam a 1.200 metros.

          Alguns dias atrás, ela foi vinculada também a uma ação organizada para colocar explosivos na embaixada dos Estados Unidos em Caracas, que tinha o objetivo de provocar uma operação de “bandeira falsa” e tentar fazer que Washington lançasse uma agressão militar direta contra a Venezuela.

          De novo, a instituição do Nobel da Paz volta a aliar-se às forças de direita, ao propor a belicista María Corina e aviltar, dessa forma, o espírito pelo qual esse prêmio foi criado.

          Alguns até já perguntaram, ironicamente, se o Comitê também teria avaliado o genocida Benjamín Netanyahu para a honraria. A esta altura do jogo, tudo é possível, nada mais surpreende.

 

 

Tradução: Márcia Choueri

*Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É o autor de “La Emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias Secretas de Médicos Cubanos en África” e “Miami, dinero sucio”, entre outros.  Nosso próximo lançamento, no Projeto Cultural Nossa América, será seu livro “Cuba & África: a luta contra o apartheid”, que acaba de ser traduzido para o português.

**https://cubaenresumen.org/2025/10/10/un-premio-nobel-de-la-paz-para-agredir-a-venezuela/

 

 

Quer saber mais sobre esse assunto?

 

Leia Guarimbas

de Raúl Capote.

 

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Nossa América.

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