Publicação original em espanhol em 9 de janeiro de 2026
Granma*
Quando o império renova seus métodos de acosso, Mella se torna um exemplo de ação e resistência.
A rua Abraham González, na capital mexicana, ainda ecoa o crime. Era madrugada de 10 de janeiro de 1929, quando balas covardes, compradas pelo tirano Machado, o abateram, mas não conseguiram destruir o símbolo. Não conseguiram acabar com a lenda. Julio Antonio Mella, o jovem de olhar penetrante, ao cair, proferiu sua declaração de combate e vitória: “Morro pela Revolução!”
Hoje, quando os jovens cubanos, aqueles que carregam em suas mochilas os sonhos da pátria socialista, passam pelo seu monumento na colina da universidade, sabem que ele não era um pensador de gabinete, mas um criador de trincheiras.
Ele realizou muito em pouco tempo. Fundou a Federação de Estudantes Universitários (FEU), dando assim à rebeldia juvenil organização e um programa. Criou a Universidade Popular José Martí porque sabia que o conhecimento, nas mãos do trabalhador e do camponês, era uma arma de emancipação. Para Mella, a teoria sem prática era estéril; a prática sem teoria, cega.
Seguidor de Martí até a medula, marxista-leninista por convicção, ele decifrou o código da dominação: sem anti-imperialismo, não há pátria; sem luta de classes, não há justiça. Compreender isso permitiu-lhe perceber a necessidade de uma organização que unisse esforços e direcionasse as lutas da época. Essa consciência o levou a fundar, em 1925, o primeiro Partido Comunista de Cuba, ao lado do veterano combatente Carlos Baliño.
A tirania de Gerardo Machado o aprisionou e o forçou ao exílio, que tornou sua luta continental, e ali foi assassinado. O imperialismo e seus servos latino-americanos temem, acima de tudo, os homens íntegros, aqueles que se recusam a ser subservientes.
Não é por acaso que seus restos mortais continuam a guardar a entrada da Universidade. De lá, sua presença eterna diz ao estudante, ao pesquisador, ao jovem trabalhador: “…quem não pegar em armas e se juntar à luta, usando motivos insignificantes como pretexto, pode ser chamado de traidor ou covarde. Amanhã podemos discutir, hoje a única coisa honrosa é lutar.”
Seu legado não é uma peça de museu. No momento em que o império renova seus métodos de pressão e aperfeiçoa sua máquina de desinformação, Mella se torna um exemplo de ação e resistência.
Noventa e sete anos depois daquelas balas traiçoeiras terem tentado pôr fim à obra de Julio Antonio Mella, revisitar sua memória nos lembra que a rebeldia precisa ser organizada e que o estudo deve ser militante. No dia 10 de janeiro, Mella não pede veneração. Ele pede ação, estudo com propósito, luta construtiva.

