Viver sob o signo do bloqueio é uma história real (parte 4): Trabalhar para comer

Foto: Abel Padrón Padilla/ Cubadebate.

Trecho de artigo publicado em Cubadebate, em 22 de fevereiro de 2026

Por: Oscar Figueredo Reinaldo, Thalía Fuentes Puebla, Yilena Héctor Rodríguez, Marcelino Vázquez Hernández, Frank Martínez Rivero, Verónica Alemán Cruz, Aniela Dumas Rojas, Inés María Castro Machado, Abel Padrón Padilla, Enrique González Díaz (Enro)

   A vida de Luísa é um calvário com roteiro próprio. Ser mãe solteira é duro, ainda mais quando se tem dois filhos. Passa o dia fazendo contas: os cuidados com o mais novo, que somam 4.000, o lanche dos dois, o “reforço” do almoço do mais velho, o pacote de frango…

   A incerteza bate forte; os temores de se sentir menos mãe lhe assaltam porque às vezes o “reforço” não tem carne, e colocar um simples cachorro-quente no prato é um luxo inalcançável. Já nem se lembra da última vez que comeu ovo: da cartela que compra no mês faz uma omelete com apenas um ovo por dia e divide entre os dois filhos, junto com o pão duro da bodega e um copo de suco de saquinho, porque “ter leite é coisa de milionário”.

   Luisa trabalha fazendo faxina ou no que aparecer. Há três dias, uma cliente chamou-a em Centro Havana; ela vive no bairro Martí, no Cerro. Saiu rumo à Avenida Boyeros, mas não podia pagar os 500 pesos que o almendrón pedia. Caminhou um pouco mais para tentar a sorte e, de quarteirão em quarteirão, chegou até Centro Habana. A volta foi igual.

   Agora está contente porque ouviu dizer que na bodega vão distribuir algumas coisas da doação do México, e porque finalmente chegou o gás. Há dois meses, vendeu umas roupas velhas, trocou o celular por um de teclas e pagou 40.000 pesos por um botijão. Passa o dia a fazer contas e tudo, absolutamente tudo, gasta em comida, no que se pode, para se alimentar “mal e porcamente”.

  “Para colocar um prato de comida na mesa para meus filhos faço o que for preciso, menos roubar. Mas a coisa está muito difícil. Todos os dias vou dormir chorando porque não sei se estou fazendo tudo certo”.


Tradução: Lina Noronha

Artigo completo, em espanhol: http://www.cubadebate.cu/especiales/2026/02/22/vivir-bajo-el-signo-del-bloqueo-es-una-historia-real-fotos/

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