Viver sob o signo do bloqueio é uma história real (parte 6): Contratempos na estrada

Foto: Abel Padrón Padilla/ Cubadebate.

Trecho de artigo publicado em Cubadebate, em 22 de fevereiro de 2026

Por: Oscar Figueredo Reinaldo, Thalía Fuentes Puebla, Yilena Héctor Rodríguez, Marcelino Vázquez Hernández, Frank Martínez Rivero, Verónica Alemán Cruz, Aniela Dumas Rojas, Inés María Castro Machado, Abel Padrón Padilla, Enrique González Díaz (Enro)

Há algumas semanas, uma corrida de táxi de Havana Velha até o Paradero de Playa (cerca de 12 km) custava 400 pesos. Cinco dias atrás, esse mesmo trajeto passou a custar 600. Não é apenas um número: é o sintoma visível de uma cadeia que se tensiona quando o combustível escasseia.

No mercado informal, o litro de gasolina chegou a 6.000 CUP em algumas áreas da capital, um preço inimaginável alguns meses atrás e que explica, em parte, a paralisação progressiva do transporte.

   Grande parte das camionetes e “almendrones” que conectam Havana a Mayabeque (Província à leste de Havana) deixou de circular por falta de diesel. A consequência é imediata: trabalhadores que não conseguem se deslocar, estudantes que veem sua frequência regular interrompida, famílias sem contato pela falta de transporte.

Conseguir um carro tornou-se uma urgência, e já há quem aceite pagar qualquer preço para poder se locomover. Outros precisam se resignar, pois nem todos os bolsos suportam uma inflação que se tornou um gigante voraz em poucas semanas.

   Nos mercados, o impacto é direto. Os alimentos, que necessariamente precisam ser transportados por estrada, subiram de preço. O óleo, por exemplo, oscila entre 1.600 e 1.800 pesos em algumas áreas da capital. Cada aumento é uma pressão extra sobre economias domésticas já apertadas.

Pablo tem um ponto de venda de artigos para o lar em San Miguel del Padrón e viu suas vendas cairem quase 30% na última semana. “Em tempos de crise, as pessoas priorizam comida e higiene”, reconhece, ao comentar sobre um fenômeno do qual é impossível escapar, tanto para o setor estatal quanto para o privado.

   A eletricidade também não escapa à crise. Em San Miguel del Padrón, os apagões chegam a uma média de 12 horas diárias.

No interior do país, a situação se complica ainda mais. Em municípios como Nueva Paz, em Mayabeque, ou Unión de Reyes, em Matanzas, nos últimos dias mal se registraram duas ou três horas contínuas de fornecimento de eletricidade. E quando a luz vai embora, muitas vezes desaparecem também a água, o telefone fixo e a rede móvel. Povoados inteiros ficam às escuras e incomunicáveis.

O prejuízo atinge também a educação. Nos pré-universitários (equivalente ao ensino médio brasileiro) dessas mesmas zonas rurais, onde a distância entre cada povoado é de vários quilômetros, as dinâmicas escolares precisaram ser reajustadas diante das dificuldades de transporte e mobilidade. Em alguns casos, um professor por povoado assume a responsabilidade de ministrar as aulas, de acordo com as possibilidades reais de deslocamento.

No âmbito do trabalho, várias entidades implementaram modalidades de trabalho remoto para reduzir o consumo de combustível e garantir a continuidade de serviços essenciais.

 

Tradução: Lina Noronha

Artigo completo, em espanhol: http://www.cubadebate.cu/especiales/2026/02/22/vivir-bajo-el-signo-del-bloqueo-es-una-historia-real-fotos/

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