Publicado por Cuba en Resumen*
12 de junho de 2026
Por Hedelberto López Blanch
Fulton Armstrong, ex-executivo de Inteligência dos EUA, disse ao jornal espanhol El Mundo que “Trump e Rubio estão construindo uma história sob medida para justificar uma escalada contra Cuba”.
O ex-membro da CIA e um dos maiores especialistas estadunidense em América Latina, que analisa há quase três décadas o relacionamento de Washington com Havana, disse que a Casa Branca está fortalecendo as sanções e o cerco econômico em plena escalada regional, após a ofensiva sobre a Venezuela, e as tensões com o Irã.
Em resposta a uma pergunta do El Mundo, Armstrong observou que, após mais de seis décadas de embargo, os Estados Unidos entraram em uma fase muito mais agressiva contra Cuba. “O bloqueio ao petróleo que chega à ilha é, na prática, um ato de guerra econômica. A lógica de Trump e do chanceler Marco Rubio é aumentar a pressão até provocar um colapso interno, convencidos de que a asfixia econômica, o medo e a guerra psicológica acabarão empurrando a população contra o regime”, disse ele.
O analista então apontou: “mas há um erro básico: Cuba não é a Venezuela. A revolução cubana, com todas as suas contradições, continua tendo raízes institucionais, culturais e históricas muito profundas, e isso é algo que em Washington muitas vezes não conseguem entender”.
Armstrong enfatizou que Trump está, sem dúvida, construindo uma narrativa política à sua medida, para justificar uma nova escalada. Já vimos isso com as acusações sobre tráfico de drogas, terrorismo, supostas bases de espionagem chinesas ou os chamados ataques sônicos contra diplomatas dos EUA, uma teoria que mais tarde levou a supostos ataques de micro-ondas, porque ninguém podia provar a primeira versão.
O analista de inteligência disse que não acredita em ver tropas estadunidenses entrando diretamente em Cuba, mas, sim, uma escalada muito mais agressiva econômica e militar.
Durante a entrevista, Armstrong reconheceu que o caso de Cuba é diferente do da Venezuela, porque em Washington há uma obsessão em colocar tudo no mesmo saco: terrorismo, tráfico de drogas, China, Irã, autoritarismo… E isso simplifica realidades completamente diferentes. “Há uma incapacidade estrutural nos Estados Unidos de entender os fatores históricos, culturais e sociais da América Latina, e o cidadão americano médio não sabe praticamente nada da história de abusos e intervenções de seu país sobre Cuba.”
Analisando por que, após tantos anos, não houve progresso na relação entre os dois países, Armstrong arrancou a falsa máscara usada pelas diferentes administrações da Casa Branca:
“O problema já não é só Trump. Há algo estrutural na política estadunidense em relação a Cuba. Joe Biden também não mudou nada importante. Abriu a mão um pouco em alguns aspectos econômicos, mas sempre com tantas condições e limitações, que no final tudo voltou ao mesmo ponto. Há uma incapacidade histórica de Washington de entender a realidade cubana além do confronto ideológico. Toda vez que a ilha tenta abrir um pouco sua economia, ou buscar novos investimentos, os Estados Unidos fecham portas novamente. Já passou durante a etapa de normalização entre Barack Obama e Raúl Castro.
Nesta importante denúncia, o analista enfatizou que, no curto prazo, “veremos uma mistura de pressão militar, sanções e negociação. É provável que os EUA aumentem ainda mais a pressão sobre Cuba, antes das eleições de meio de mandato. Mas penso também que em Washington eles sabem que a Ilha não vai entrar em colapso facilmente.
Armstrong só deixou de dizer que Cuba resistiu a todos os ataques e agressões norte-americanas por sua história de luta contra o colonialismo espanhol, a neocolônia americana, a ditadura de Fulgencio Batista, promovida e apoiada por Washington, e pela estreita união entre o povo e seus líderes. Para Cuba, a soberania e a independência do país são as bases fundamentais para qualquer entendimento com os Estados Unidos.
Recentemente, enfrentando uma nova extorsão de Washington contra a petrolífera cubana (Cupet), o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez publicou em sua conta no X: “Eles pretendem justificar seu crime com pretextos absurdos, que só buscam esconder seu principal objetivo: asfixiar o povo cubano, fazê-lo se render por fome, necessidades e doenças. Estamos testemunhando o renascimento do fascismo em sua forma mais pura”.
Díaz-Canel enfatizou que “os Estados Unidos não perdoam que, a esta altura, com toda a máxima pressão que exerceram, a Revolução continue existindo, e o país continue funcionando. E nem eles mesmos acreditam nisso que tanto falam e repetem, de um Estado falido”.
Foto: Associated Press/LaPresse (APN)
*https://cubaenresumen.org/2026/06/12/sobre-mentiras-trump-y-rubio-construyen-un-relato-para-atacar-a-cuba/
Tradução: Márcia Choueri

