Trump: ameaças, sanções e tarifas

 

Publicado em 17 de julho de 2025
por Resumen Latinoamericano

Hedelberto López Blanch* 

 

   O presidente condenado estadunidense, Donald Trump, que se anuncia e se expõe em sua conta na rede Truth Social como um papa, um rei salvador, o super-homem ou um cavaleiro Jedi, quer tentar dominar o mundo com suas ferramentas prediletas: sanções, tarifas e ameaças, tanto econômicas como políticas.
   Sua última demonstração, que ainda não se sabe se é por presunção ou prepotência demencial, coincidiu com a estreia no cinema do novo filme de Superman, quando a Casa Branca compartilhou em suas redes sociais uma imagem gerada com Inteligência Artificial, na qual o mandatário aparece como o fictício super-herói, com a capa incluída e o título «uma presidência de Trump, verdade, justiça e modelo americano».
   Como indicam órgãos da imprensa, não é a primeira ocasião em que a equipe de comunicação de Trump recorre à IA para projetar uma imagem poderosa, messiânica ou claramente pop, ou seja, com uma estética de realce banal ou kitsch de algum elemento cultural, frequentemente por meio do uso da ironia ou da paródia.
   Nos últimos meses, a Casa Branca distribuiu montagens similares: durante a eleição do novo Papa, difundiu-se uma imagem de Trump vestido com batina branca e mitra papal; em 4 de maio, dia de Star Wars, apareceu como um cavaleiro Jedi, com espada laser vermelha; e em fevereiro, quando se anunciaram novas taxas sobre produtos importados, foi retratado como «rei e salvador da América».
   Nos últimos dias, o condenado presidente ameaçou o Brasil com a imposição de um tarifaço de 50% sobre os produtos do país que ingressem aos Estados Unidos; e o México e a União Europeia, com 30%.
   Seu mau humor foi detonado após a Cúpula dos BRICS realizada no Rio de Janeiro, e ele advertiu que imporia uma tarifa de 10%, depois que os integrantes do Grupo acordaram acelerar os intercâmbios comerciais com o uso de suas moedas nacionais, para evadir as amarras do dólar.
   Para primeiro de agosto, o mandatário anunciou que entrariam em vigor tarifas contra várias nações: Tunísia 25%, Bósnia e Herzegovina 30%, Indonésia 32%, Bangladesh 35%, Sérvia 35%, Camboja 36%, Tailândia 36%.
   Além disso, a partir dessa data, aplicará taxas ao Japão 25%, Coreia do Sul 25%, Cazaquistão 25%, África do Sul 30%, Myanmar 40% e Laos 40%.
   O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que não considera que “seja algo muito responsável ou sério que um mandatário de um país do tamanho dos Estados Unidos ameace o mundo através da Internet”, ressaltou que “cada nação é dona de seu próprio destino” e sublinhou que Trump “necessita saber que o mundo mudou e não quer um imperador”.
   Após afirmar que seu país tomará medidas similares no comércio com Washington, ironizou que levaria a Trump jabuticaba, uma fruta nativa brasileira que ajuda a acalmar os ânimos e quem a come não necessita uma briga tarifária, e sim muita unidade e relações diplomáticas.
   Por sua parte, a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum disse que, nesses casos, é preciso manter a cabeça fria, para enfrentar qualquer problema. “Temos claro”, acrescentou, “que podemos trabalhar com o governo estadunidense e que há algo que não se negocia nunca, que é a soberania do nosso país».
   Enquanto isso, a União Europeia, como já é costume, envia seus funcionários à Casa Branca, para tratar de que Trump lhe rebaixe as anunciadas tarifas, mas sem emitir uma única palavra de crítica ao autoproclamado Papa, Rei ou Superman.
   Os analistas asseguram que as tarifas não afetarão apenas aos países ameaçados, mas também a todos os consumidores estadunidenses, e que o peso será maior para as pessoas de baixa e média renda, que destinam uma parte maior parte de seus ganhos à compra de artigos essenciais.
   Assim, os aumentos de preços impulsionados por essas tarifas aumentarão a pressão nos lares e desgastarão ainda mais a confiança do consumidor.
   Mas Trump não se importa com essa realidade, e continuará, com tolos ares de grandeza e de frustrado imperador, convertendo-se no presidente mais vergonhoso da história estadunidense.
(*) Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É o autor de “La Emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias Secretas de Médicos Cubanos en África” e “Miami, dinero sucio”, entre outros.
Tradução: Marcia Choueri

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