Por Hedelberto López Blanch*
Publicado originalmente em Resumen Latinoamericano**
3 de novembro de 2025
As imagens deixadas pelo poderoso furacão Melissa, que atacou com fúria as províncias do oriente cubano, dão a visão da catástrofe sofrida pelos milhões de moradores de Granma, Las Tunas, Holguín, Santiago de Cuba e Guantánamo.
Com uma intensidade de categoria 3 na escala de Saffir-Simpson, Melissa entrou pela região sudeste, com ventos sustentados de até 200 quilômetros por hora e chuvas torrenciais que chegaram a atingir os 400 mm em algumas localidades, deixou inundações nunca vistas nas zonas afetadas e desastrosos danos em casas, empresas, iluminação pública, infraestruturas, agricultura, gado bovino, aves de curral, mas o fundamental foi que não se perdeu nenhuma vida humana.
O governo, as organizações políticas e da sociedade civil, no país e nas províncias afetadas, tomaram as medidas pertinentes, antes e depois da passagem do fenômeno meteorológico, para proteger os moradores e muitos bens materiais.
Como resultado, o presidente Miguel Díaz Canel-Bermúdez expressou, durante uma Mesa Redonda junto com o Conselho de Defesa Nacional: «Estamos vivos, o nosso triunfo é a vida. Não é um milagre, e sim o resultado da preparação, da organização, da disciplina, da solidariedade, da unidade e da vontade de um povo em Revolução”, que, inclusive sob “as condições de outro brutal furacão que já dura mais de 60 anos — em alusão ao bloqueio econômico, comercial e financeiro do governo dos Estados Unidos —, prioriza a vida humana».
O governante cubano destacou que, como disse o General de Exército Raúl Castro, “Fidel não tinha um substituto, que Fidel só podia ser substituído pelo Partido”. Enfatizou que não há um só indivíduo responsável por essas atitudes frente à fúria da naturaleza e do império, mas uma integração entre o governo, as Forças Armadas, o Ministério do Interior e as organizações políticas e de massas, que descreveu como «uma rede social verdadeiramente poderosa, porque não cai quando a internet falha».
E o mais significativo foi que, no dia seguinte à passagem do poderoso furacão, como ensinaram Fidel e Raúl desde o princípio da Revolução, em janeiro de 1959, Díaz Canel viajou a todas as províncias orientais afetadas e, junto com ministros e altas autoridades do Partido e do Governo, falou com os moradores, deu orientações para iniciar a recuperação e garantiu aos habitantes que ninguém ficaria desamparado.
Em seus intercâmbios com os afetados e com as autoridades provinciais, destacou que começa agora «a tarefa mais dura»: a fase de recuperação e, entre as prioridades imediatas, mencionou a necessidade de realizar um levantamento sério e profundo dos danos, sanear e controlar a situação epidemiológica, e restabelecer com celeridade os serviços essenciais de energia elétrica, comunicações e água potável.
A Revolução cubana, cujo país e povo sofrem o bloqueio econômico, comercial e financeiro mais longo da história, continua sendo, em tempos difíceis, um exemplo de humanidade e solidariedade para o mundo.
E nesses momentos recordo quando o condenado presidente Donald Trump, no seu primeiro mandato, após Porto Rico sofrer os enormes prejuízos provocados pelos furacões Irma e Maria, em setembro de 2017, o mandatário visitou aquela ilha colonial 15 dias depois e, num enorme gesto de desprezo com a população, jogou papéis de cozinha a várias pessoas.
Além disso, o magnata presidente depois negou a veracidade de um estudo da Universidade George Washington (solicitado pelo governo porto-riquenho) que elevou o número de mortos a 2.975, após incluir também os que faleceram nos seis meses posteriores, como resultado da falta de atendimento médico, de eletricidade e água potável.
Por isso, Cuba hoje se orgulha de contar com presidentes como Fidel, Raúl e Díaz Canel, que foram os primeiros a se dirigir aos diferentes lugares do país onde tenha ocorrido qualquer tipo de desastre. Em tempos difíceis, o presidente junto ao povo.
*Sobre o autor: Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É o autor de “La Emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias Secretas de Médicos Cubanos en África” e “Miami, dinero sucio”, entre outros. E o Projeto Cultural Nossa América está lançando em português seu livro “Cuba & África: a luta contra o apartheid”.
**https://cubaenresumen.org/2025/11/03/en-tiempos-dificiles-el-presidente-junto-al-pueblo/
Tradução: Marcia Choueri

