Publicado por Cuba en Resumen*
em
3 de janeiro de 2026
Por Hedelberto López Blanch**
O desespero pelo declínio constante do império estadunidense, que vê a decadência do seu poderio internacional frente a potências emergentes, como a China, a Rússia, o Irã, a Turquia e outras, levou-o a tratar de destruir a Revolução Bolivariana pelo uso da força.
No afã de controlar todas as riquezas da América Latina e apropriar-se das enormes fontes de petróleo, ouro e terras raras que a Venezuela possui, o império atacou vários pontos do território venezuelano e sequestrou seu presidente legitimamente eleito, Nicolás Maduro Moros, e sua esposa, Cilia Flores.
E agora nos perguntamos: o que fará a quase inoperante ONU e o seu Conselho de Segurança, para impedir esses atos agressivos, que violam todo tipo de leis internacionais? Permitirá que a prepotência do império pisoteie o direito mundial e a Carta da Organização? Deixará sem condenar que um império ataque uma nação que decidiu seu próprio destino em benefício do seu povo?
A agressiva dinâmica do imperialismo e seu terrorismo de Estado se encaminha contra todos os povos do mundo, e a ação militar contra um país livre e independente abre um precedente que ameaça a soberania de todas as nações. Se hoje se pode invadir impunemente a Venezuela, para saquear os seus recursos e tratar de mudar o seu sistema político, no futuro o fará em qualquer lugar. Como disse o Guerrilheiro Heroico Ernesto Che Guevara, em discurso de 30 de novembro de 1964: «Não se pode confiar no imperialismo nem um tantinho assim, nada».
Isso também, potências emergentes como a Rússia e a China devem ter em conta.
Donald Trump vem insistindo em conseguir uma paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que foi iniciada pelas ações terroristas que Kiev lançou contra cidadãos russos no Donbass e pelo avanço da OTAN sobre as fronteiras do gigante euro-asiático.
Mas Trump, ao mesmo tempo, pressionou as nações europeias para que dediquem 5% do seu Produto Interno Bruto a comprar armamentos estadunidenses de todo tipo, o que incrementaria as forças militares da OTAN numa possível agressão contra Moscou, o que é uma ameaça muito grave.
Quanto a Pequim, Washington safou-se de sua política anterior de uma só China em relação a Taiwan e, pelo contrário, acaba de aprovar um enorme pacote de 11,1 milhões de dólares para Taipei, a maior venda de armas dos Estados Unidos à ilha em toda a sua história.
Outra pergunta salta: O mundo permitirá que os Estados Unidos controlem ao seu bel prazer o comércio petroleiro no mundo?
Hoje sequestraram Maduro, mas amanhã, por qualquer motivo, tentarão fazê-lo com Claudia Sheiunbaum, Luiz Inacio Lula da Silva, Gustavo Petro e contra qualquer um que não obedeça a política de rapina de um regime imperial em queda, mas sumamente perigoso.
O império está descontrolado, e só a ação dos povos e governos dignos do mundo poderá deter as ações dos neofascistas instalados na Casa Branca.
Com ONU ou sem ONU, defender a Venezuela e exigir a libertação do presidente Nicolás Maduro é a tarefa fundamental dos nossos povos.
Tradução: Marcia Choueri
*https://cubaenresumen.org/2026/01/03/epoca-de-la-barbarie-imperial/
**Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É autor de “La emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias secretas de médicos cubanos en África”, Cuba & África: a luta contra o apartheid (publicado em português pelo Projeto Nossa América) “Miami, dinero sucio” (que será lançado em português proximamente pelo Projeto), “El renacer de las cigarras” e “Rubio, un mitómano incontrolable”, entre outros.

