Raquel, uma moradora do município de Boyeros, passa as horas do apagão à luz de uma pequena lâmpada.
Foto: Enrique González (Enro)/ Cubadebate.
Trecho de artigo publicado em Cubadebate, em 22 de fevereiro de 2026
Por: Oscar Figueredo Reinaldo, Thalía Fuentes Puebla, Yilena Héctor Rodríguez, Marcelino Vázquez Hernández, Frank Martínez Rivero, Verónica Alemán Cruz, Aniela Dumas Rojas, Inés María Castro Machado, Abel Padrón Padilla, Enrique González Díaz (Enro)
A falta de combustíveis, agravada este ano após as recentes medidas de Trump, transformou o Casino Deportivo (bairro do município de Cerro, província de Havana) em um espaço marcado pela escassez. As lixeiras improvisadas e impossíveis de serem recolhidas multiplicam-se a cada esquina, gerando mau cheiro e atraindo pragas.
A derrubada indiscriminada de árvores dentro do próprio bairro para fazer lenha, já que também não há gás, eliminou a sombra e o frescor que antes protegiam os moradores do sol em muitos lugares da comunidade.
As diversas fossas abertas, algumas com água limpa desperdiçada, outras com água estagnada, representam um risco sanitário evidente em qualquer lugar. Os serviços de Águas de Havana precisam de gasolina ou petróleo para seus veículos, mas também foram afetados pela situação atual, à qual os “donos” do império querem nos submeter.
A isso se soma, o problema de mobilidade: para sair do bairro e acessar algum transporte público, os moradores precisam caminhar quilômetros, pois apenas duas linhas entram no local, a A-65 e a A-14, e só passam pela manhã e depois entre cinco e sete da tarde, já que o transporte urbano foi drasticamente limitado.
Para os asmáticos, a falta de energia elétrica também é uma grande dificuldade. Como não há balões de oxigênio na policlínica, estes foram substituídos por nebulizadores com compressores portáteis elétricos. Quando há apagões, não funcionam, e as pessoas que necessitam precisam procurar o hospital “mais próximo” (com asma e sem transporte).
Vozes da comunidade
As palavras dos moradores refletem tanto a nostalgia pelo que já foi conquistado quanto a indignação diante do abuso do governo de Donald Trump. “Aqui jogávamos beisebol até tarde da noite, com as luzes acesas e música ao fundo. Agora, o que resta é o silêncio (entre tantas horas de apagão) e o lixo”, recorda Rafael Verdecia, morador da região há mais de 40 anos.
María Elena González, mãe de dois pequenos, lamenta: “A derrubada indiscriminada de árvores porque precisamos da lenha também para poder comer e sobreviver nos tirou também a sombra e o frescor. Já não há nem onde se refugiar do sol”.
Luis Pérez, trabalhador comunitário, alerta: “As fossas abertas são um perigo. Algumas têm água limpa, outras estão contaminadas, e ninguém as fecha. Não é porque não queiram, mas porque não há combustível para trazer o equipamento necessário para resolver os problemas. É um risco iminente para a saúde”.
Teresa García, professora aposentada e recontratada, afirma com pesar: “O Casino era um lugar de orgulho. Hoje é símbolo do brutal bloqueio ao qual estamos sendo submetidos. Nós, seus moradores, não podemos permitir que se destrua completamente”.
A essas vozes soma-se a constante reclamação sobre o transporte. “Para pegar um ônibus temos que caminhar quilômetros ou recorrer aos bicitáxis, que quase não existem, sem contar o que cobram”, menciona Alejandro Mesa.
“Só chegam duas linhas e passam em horários limitados. É como se estivéssemos isolados”, denuncia Ernesto, jovem trabalhador que enfrenta diariamente o desafio de chegar ao emprego no bairro do Vedado. “Da Cidade Desportiva à Biblioteca Nacional, que são apenas dois quilômetros pela avenida Boyeros, já me cobraram até 300 pesos”, comenta angustiado.
Entre a nostalgia e a esperança
O Casino Desportivo sofre o impacto direto e abusivo do bloqueio do governo dos Estados Unidos ao nosso arquipélago. No entanto, entre tristeza e indignação, persiste um fio de esperança: os moradores reivindicam, denunciam e lutam contra o que está acontecendo; e sonham com a recuperação deste lugar emblemático.
Tradução: Lina Noronha
Artigo completo, em espanhol: http://www.cubadebate.cu/especiales/2026/02/22/vivir-bajo-el-signo-del-bloqueo-es-una-historia-real-fotos/

