POSSÍVEL AGRESSÃO MILITAR DOS EUA CONTRA CUBA

ALERTA DE UMA “CATÁSTROFE HUMANITÁRIA”

O POVO REVOLUCIONÁRIO DE CUBA COMBATERÁ ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS.

   COMPARTILHO RESUMO DA INTERVENÇÃO DO MINISTRO DE RELAÇÕES EXTERIORES DE CUBA, BRUNO RODRÍGUEZ PARRILLA, EM 26 DE MAIO DEL 2026, NO DEBATE ABERTO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU SOBRE A DEFESA DOS PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS DA CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS.

   “O governo dos Estados Unidos, nestes fatos, está em uma posição de ruptura da paz e da seguridade internacionais e de violação do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário em relação à República de Cuba.

   O ajuizamento de acusações penais contra o líder da Revolução cubana, General de Exército Raúl Castro Ruz é um ato moralmente infame e legalmente arbitrário, por abuso da jurisdição das Cortes estadunidenses, pela manipulação do local da derrubada dos aviões ocorrida no espaço aéreo e marítimo do território cubano; pelas missões terroristas e ilegais frequentemente cumpridas por eles, violando leis estadunidenses, pela impunidade e cumplicidade de autoridades desse país e por ignorar o direito dos Estados à legítima defesa.

   É uma decisão politicamente motivada, fraudulenta e dirigida a enganar os cidadãos estadunidenses e estrangeiros, 30 anos depois dos acontecimentos, com o vil propósito de que apoiem uma aventura militar contra Cuba, para conseguir uma “mudança de regime” ou uma “construção de nação”, como a chamam agora eufemisticamente.

   O cerco petroleiro ou energético que os Estados Unidos aplicam a Cuba, equivale, por seus efeitos, a um bloqueio naval, que é um ato de guerra e de genocídio que submete a população cubana a condições que ameaçam sua integridade e existência, e constitui um cruel e indiscriminado “castigo coletivo” que hoje provoca mortes, como reflete a duplicação da taxa de mortalidade infantil, de 4,0 a 9,2 por cada mil nascidos vivos, ou a redução da expectativa de vida de crianças enfermas de câncer, de 85 a 65%.

   Uma agressão militar provocaria um banho de sangue. Morreriam milhares de cubanos defendendo a Pátria e valores e razões sagradas, e também pereceriam jovens estadunidenses, sem causa ou ideal a defender, arrastrados à violência por uma política imperialista, neofascista; de dominação, saqueio e conquista.

   Dirijo-me, em especial, aos cidadãos estadunidenses, especialmente aos jovens, e apelo a seus valores humanos, seus sentimentos pacifistas e nobres, e lhes peço que busquem a verdade e não permitam que os enganem ou manipulem uma camarilha elitista, corrompida e poderosa de Miami, não representativa do povo estadunidense nem dos cubanos residentes neste país, os quais se opõem majoritariamente à barbárie da guerra e do bloqueio energético.

   O Presidente que dê essa ordem de ataque militar, o Secretário de Estado e de Guerra que o instiguem a fazê-lo, passariam à história como criminosos de guerra, autores diretos de crimes de lesa humanidade. Não se pode esgrimir nenhuma justificativa para uma agressão, ou para atos desumanos coercitivos semelhantes a ela, por seu impacto humanitário. Deixem Cuba viver em paz!

   Durante mais de seis décadas, o governo estadunidense fabricou pretextos para tentar justificar sua conduta criminal.

   Utilizou o absurdo argumento de apresentar a pequena mas simbólica Ilha como uma suposta ameaça à seguridade nacional da superpotência nuclear, ideia que desafia a lógica e o senso comum, além de apoiar-se em afirmações e insinuações totalmente mendazes.

   Como reiterou o presidente Miguel Díaz-Canel, Cuba não é nem pode ser uma ameaça. Não é um inimigo dos Estados Unidos, nem quer ser, apesar das significativas divergências com seu governo. Cuba tem profundos e fraternos vínculos com o povo e a cultura estadunidenses. Continuaremos recebendo com calidez e hospitalidade seus viajantes, ainda que seu governo restrinja suas liberdades; assim como seus empresários e companhias com projetos competitivos, para que participem, sem qualquer discriminação, de nosso desenvolvimento econômico, mesmo que o bloqueio o obstaculize.

   Entretanto agora uma plutocracia corrupta e imoral esgrime a lenda da incompetência e suposta corrupção de nosso governo e o suposto perigo de “crise humanitária”, como justificativa de uma intervenção estrangeira. E o diz, cinicamente, o próprio verdugo que, de maneira fria, cruel e deliberada, provoca com suas ações efeitos devastadores, como os que causariam em qualquer país do mundo, independentemente de seu potencial econômico, seu nível de desenvolvimento ou a natureza de seu sistema político.

   Apesar da falta de avanços e de boa vontade, da falta de seriedade e coerência da parte estadunidense, seguimos dispostos a continuar conversações; a tratar dos problemas bilaterais, sem ingerência em nossos assuntos internos, nem em nosso sistema político, nem em nossas eleições; e a buscar formas de comportamento civilizado e cooperação multifacética, particularmente em matéria de terrorismo, narcotráfico, crime transnacional organizado, migração regular e segura, tráfico de pessoas, compensações econômicas mútuas e outras.

   Trata-se de uma agressão unilateral sem precedentes e sem nenhuma justificativa.  Mediante a intimidação e as sanções “secundárias”, aplicáveis a terceiros, o governo dos Estados Unidos pretende obrigar todos os Estados a participarem, contra sua vontade, de suas políticas atrozes contra Cuba, o que não acontecerá.

   Peço à comunidade internacional que se mobilize, para impedir uma catástrofe humanitária que pode ser imposta, seja pela via das armas ou pela via do cerco energético e do endurecimento extremo do bloqueio, que também matam e provocam sofrimento.

   Peço à América Latina e Caribe que atue para preservar sua condição de Zona de Paz e evite consequências adversas que desestabilizariam a região.

   É hora de que uma ampla articulação internacional, por cima de diferenças políticas, enfoques ideológicos, diferendos históricos, ponha limite e impeça os desmandos que ameaçam e ferem os interesses nacionais, os povos e as prerrogativas soberanas de todos os Estados.

   O Sul Global deveria lutar por isso e proteger-se coletivamente de qualquer represália, na voz e na ação coletivas e na cooperação mútua. Peço humildemente: chegou a hora de ser solidário com Cuba, que sempre o foi com todos, sem nunca haver se detido por riscos, às vezes mortais, nem por interesses ou escassez material.

   Em 26 de setembro de 1960, na Assembleia Geral da ONU, o Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz assinalou: ‘Desapareça a filosofia do despojo, e haverá desaparecido a filosofia da guerra!’. Nós o recordamos vivamente no ano de seu centenário.

   Ninguém duvide que, chegados a um momento que esperamos nunca ocorra, o povo de Cuba combaterá até as últimas consequências.

   ‘Pátria ou morte, venceremos!!’”

   MEU APOIO A ESTAS DECLARAÇÕES: Desde o bairro de El Canal del Cerro, Havana, Cuba.

   A todos os meus amigos e camaradas do mundo, a todas as pessoas honestas:

   Reitero com o chanceler: PÁTRIA OU MORTE, VENCEREMOS!

Felipe de J. Pérez Cruz

(professor, historiador, patriota cubano)

Tradução: Márcia Choueri

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