O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em sua chegada à Jamaica.*
Editorial de Diario Red**
4 de junho de 2026
“Seu nome aparece repetidamente por trás de sanções, bloqueios, listas negras e campanhas difamatórias contra Cuba, Venezuela ou qualquer país que ouse se desviar um milímetro sequer do roteiro de Washington. Vive às custas do dinheiro público há mais de 25 anos — justamente aquilo que diz odiar — e seu súbito apreço por Trump, depois de tê-lo detestado, é o melhor exemplo de seu talento: a arte milenar do oportunismo. Rubio não muda seus princípios; ele os aluga a quem estiver na Casa Branca.”
Nasceu em 1971 em Miami, filho de imigrantes cubanos que chegaram aos Estados Unidos antes da Revolução, embora insista em vender a farsa de que fugiram do comunismo. Desde jovem, aprendeu a lição que lhe permitiria ganhar a vida com a política: vitimizar-se vende, e o anticastrismo dá dinheiro.
Rubio é um ator estratégico na ofensiva imperial que busca impedir o surgimento de uma América Latina livre e autônoma. Seu objetivo não é apenas punir governos: é semear o medo e subjugar as populações.
Foi isso que nossa colega Ingrid Urgelles nos contou alguns meses atrás em sua coluna “Guilhotina” sobre o Secretário de Estado e chefe da diplomacia dos EUA, que traçou a trajetória política de Marco Rubio e nos recordou como, a partir do Comitê de Inteligência do Senado, o republicano se posicionou de forma discreta, porém eficaz, como um “especialista em política externa latino-americana”, direcionando sua munição contra a Venezuela e contra sua obsessão: Cuba.
Na Venezuela, foi um dos maiores promotores da tentativa fracassada de golpe de Estado de 2019, com Guaidó , chegando a viajar para Cúcuta para coordená-la.
Em novembro de 2024, com Trump de volta à Casa Branca, Rubio foi nomeado Secretário de Estado aos 53 anos e, a partir daí, liderou uma cruzada para reintegrar Cuba à lista de “países patrocinadores do terrorismo ”. Juridicamente insustentável e devastador na prática: bancos, empresas e investidores se retiraram da Ilha, aprofundando a crise causada pelo bloqueio, pela pandemia e pelo cerco energético imposto este ano.
De sua posição, promove leis que bloqueiam empréstimos multilaterais, exige restrições digitais em Cuba, promove listas negras de acadêmicos e jornalistas pró-soberania e infiltra narrativas evangélicas que justificam o neoliberalismo como uma “ordem natural”.
Trata-se de um ator estratégico na ofensiva imperial que busca impedir o surgimento de uma América Latina livre e autônoma. Seu objetivo não é apenas punir governos: é semear o medo e submeter as populações.
“O chefe do Departamento de Estado é anti-latino-americano. É um inimigo mortal de Cuba, um inimigo mortal de muitos países latino-americanos”, declarou o presidente brasileiro Lula da Silva.
Ontem, em sua exposição perante o Senado, o Secretário de Estado dos EUA voltou a colocar os cartéis mexicanos no centro da agenda de segurança de Washington, alertando a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o potencial uso de drones contra interesses estadunidenses. Também justificou ataques a embarcações civis em águas internacionais, operações sem provas que já somam 200 mortos.
Como bem expressou Lula, o chefe do Departamento de Estado é anti-latino-americano. “É um inimigo mortal de Cuba, um inimigo mortal de muitos países da América Latina.”
Rubio é o principal articulador do intervencionismo nos Estados Unidos, arquiteto de uma guerra ideológica que associa qualquer experiência soberanista ao crime, à miséria e à ameaça global.
Mas ele não age sozinho. Faz parte de uma rede de think tanks, agências de inteligência, organizações de lobby, empresas de mídia e setores militares que trabalham para expandir o domínio dos EUA sobre todo o continente americano.
*Foto: X/SecState
**https://www.diario-red.com/articulo/editorial/marco-rubio-sembrador-miedo/20260604025106070807.html
Tradução: Lina Noronha

