Um discurso repleto de ódio invadiu a Assembleia da ONU

Ilustração: Adán Iglesias Toledo

Por: Hedelberto López Blanch*

Publicado originalmente em espanhol, em 22 de setembro de 2026, por Resumen Latinoamericano

A nefasta alocução de Trump converteu as Nações Unidas em um aleivoso campo de guerra

  A maioria dos presentes na ampla sala da Assembleia Geral da ONU ficou atônita, e outros, enfurecidos, quando o novo diabo do mundo, o condenado presidente estadunidense Donald Trump, encheu o local de ódio e enxofre.
Naquele momento, com o nefasto discurso de Trump, as Nações Unidas se converteram em um aleivoso campo de guerra, ao invés de ser, como propõem seus estatutos fundacionais, um organismo para preservar a paz entre os povos.
  O narcisista mandatário, que sofreu uma derrota militar em sua injustificada guerra contra o Irã, disse que «ou se chega a um acordo com esse país que seja beneficioso para os Estados Unidos, ou aniquilo a República Islâmica… e os arrasto ao inferno, sem possibilidade de sobrevivência e sem esperança de grandeza futura nem de gerações vindouras».
  Com sua costumeira prepotência e apoiando-se em suas conhecidas ameaças, acrescentou: «Nossa economia é a inveja do mundo. Nossas Forças Armadas são as mais poderosas do mundo. Nossa tecnologia não tem rival, e somos líderes em praticamente tudo… nossa nação está crescendo, nosso poder está se expandindo, nosso país está melhor que nunca, e nosso futuro é muito, muito promissor».
   Para os analistas, suas declarações não têm nenhuma relação com a realidade, pois a economia dos Estados Unidos não está nada bem, com uma dívida de mais de 40 trilhões de dólares; deficit nas reservas de combustível; destruição de seus sofisticados equipamentos militares no Irã, bem como impondo frágeis governos aliados de direita, mediante fraude, ameaças e agressões.
    Sua fanfarronada subiu de tom, quando se referiu ao ataque militar que realizou contra a Venezuela em 3 de janeiro, causando uma centena de mortos (entre eles, 32 cubanos) para sequestrar o legítimo presidente da nação bolivariana Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores.
  «O vencedor leva tudo», ao referir-se ao astucioso acordo firmado com Caracas para apropriar-se de mais de 65 milhões de barris de petróleo. Aparentemente, também queria deixar assentada, entre os presentes, sua opinião, de que está acima de qualquer lei ou organismo internacional.

Mais adiante, seu rancor contra Cuba se espalhou por todo o cenário.

 “Nossas ações na Venezuela são prova do nosso poderio militar, e estou disposto a utilizá-lo sem limites, para assegurar seus interesses na América Latina. Esses interesses passam por uma mudança de regime em Cuba, onde o governo comunista “cairá”, blasfemou.
  Acrescentou, esse homem das cavernas, que “o regime comunista (cubano) está sob uma forte pressão, a mais forte que já sentiu”, em alusão ao bloqueio petroleiro e às sanções contra o governo da Ilha.
  Como era de se esperar, ante tamanhas e infundadas mentiras, a delegação de Cuba abandonou o recinto.
  Em sua conta no X, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, rechaçou com firmeza as palavras de Trump, declarando:
  «O governo dos Estados Unidos é incapaz de aceitar que Cuba é e tem o direito de ser um país plenamente soberano e independente. Nenhuma das falsidades do presidente dos Estados Unidos na ONU e nenhuma calúnia pode nem poderá negar esse fato. Cuba não é uma ameaça para os Estados Unidos, nem para qualquer outro país. O bloqueio econômico, incluído o cerco energético, sim, ameaça Cuba e o resto das nações. É um ato de genocídio e castigo coletivo. Somos um país de paz e merecemos a paz».
   Minutos após a descabida alocução de Trump, o presidente cubano sentenciou, em sua conta de X: «Incapaz de justificar o castigo contra o povo de Cuba e sua guerra econômica genocida, o presidente dos Estados Unidos repete na ONU que Cuba representa uma ameaça. A mentira é o recurso dos que se recusam a aceitar o direito do povo cubano à livre determinação. “Continuaremos lutando pela paz, defendendo a nossa soberania e trabalhando em conjunto, para superar a impiedosa agressão que o governo estadunidense nos impõe. Cuba não é uma ameaça, o bloqueio sim».
  É inegável que os Estados Unidos encheram outra vez de ódio a Assembleia Geral das Nações Unidas e espalharam o enxofre destilado pelo diabo, como disse, em certa ocasião, o presidente bolivariano Hugo Chávez.

*Jornalista cubano. Escreve para o diário Juventud Rebelde e o semanário Opciones. É o autor de “La Emigración cubana en Estados Unidos”, “Historias Secretas de Médicos Cubanos en África” e “Miami, dinero sucio”, entre outros. Em português, publicou pelo Projeto Cultural Nossa América o livro Cuba & África: a luta contra o apartheid.

Tradução: Marcia Choueri

Tags de postagem :

Compartilhar :

Um discurso repleto de ódio invadiu a Assembleia da ONU

0
0
Seu Carrinho
Carrinho vazioSeu carrinho está vazio